Você tem mais de 40 anos? Então, se lembra do crediário das Casas Bahia, do Baú da Felicidade, das Portas da Esperança. Ainda acha que se pagar à vista tem desconto; se pagar a prazo fica refém de juros exorbitantes. Se tem menos de 40, vai ter que aprender esta experiência errando, se endividando. Não existe almoço grátis na economia. Isso porque a economia faz parte da vida. E hoje, na nossa vida temos Halloween, vida, morte, santos. Então, comecemos esta série de raciocínios em prestações!

Ninguém vai te dar nada que realmente preste sem um custo. E não ser o seu melhor é o pior preço a se pagar. Filosofia de redes sociais, das bem rasas, se você não souber de onde veio, para onde vai ou para que serve. Existe um melhor possível e um melhor para o momento, e na maioria das vezes, eles não são a mesma coisa. O que envolve este melhor é a questão.

Halloween. Dia das bruxas. Vem de All Hallows Eve, véspera do Dia De Todos Os Santos, que virou uma farra. Hallow een. Era um dia sério do cristianismo, o bom humor do povo dos países que falam inglês transformou em carnaval. Máscaras, doces, travessuras. Hoje em dia, só de comer alguma coisa com açúcar já é uma forma de travessura. E a gente fica sério de novo. Engraçado como neste texto, tanto quanto nos noticiários, falamos de coisas sérias e brincadeiras alternadamente. Assim como na vida.

Então, logo depois das travessuras, vem o dia de comemorar um lugar onde não existem contas a pagar, nem defeitos. Todos são santos! Chega de crediário, tudo está pago. Nada é  humano. Nada é erro ou errado. Tudo é Deus e com Deus tá sempre tudo certo. Mesmo que você seja um crente, e não saiba exatamente o que é o mais certo, pois tudo depende de Deus. E aí resta uma dúvida: se só Deus sabe o que é o certo e você não, como você vai saber que algo é a vontade de Deus? Como vai reconhecer? Ficamos sérios de novo. De repente, um conjunto de cartas enviadas de um santo para outro, chamada Bíblia,  viram a vontade de Deus para você. Mesmo que tenham sido escritas em outros tempos, por outras culturas, em outras línguas e cada uma destas variáveis tenham um significado. Profundo e relevante, não só para quem acredita. Dane-se. Do jeito que ficou, é a vontade de Deus. Necessariamente. Ou isso, ou você não é meu amigo, não pagou as prestações, continua devendo.

Assim se celebram os santos. Não como pessoas felizes que acharam significados nas imperfeições da vida, depois de um longo e tenebroso processo de auto conhecimento e auto reconhecimento. Dentro de si, acertando e errando, pagando e devendo alternadamente. Mas uma perfeição desconhecida, carente de referência e talvez, de significados. Pasteurizada por seriedades e brincadeiras mal compreendidas. Raios, viver é difícil. Sejamos todos santos, e não se fala mais nisso! Pronto. Você acabou de transformar todas as dificuldades e imperfeições, pecados. Transformou algo passível de conserto em erro absoluto. E se errar… tá frito. Meu Deus, que… terror! Terrorismo. Estou falando de católicos? Muçulmanos? Ou de gente que se diz aberta, mas encara “ser aberto” como sendo a única opção de vida, na prática?  Estou falando de mim e de você. Alternadamente.

Então, só temos um assassino essa semana? Ah, esta vez foi em Nova Iorque. Na passada é que foi em Goiás. Já é notícia velha. Usemos o poder do agora terroristicamente e esqueçamos que tem gente nas escolas que perdeu a vida de forma violenta, se não são terroristas. Gente, somos todos humanos, e capazes de sermos violentos. Todos. Até o Papa Francisco, ou o Dalai Lama, ou quem quer que seja, desde tenha nascido e ainda não tenha falecido.  Cada um do seu jeito. Ou você acha que chamar um erro ou dificuldade de pecado não é uma forma de violência? Que pode gerar mais violência? Ah, o critério. Ah, ser criterioso, no julgamento. Que coisa tão complexa!

Ok. Até aqui, tudo certo, nada resolvido. Então prossigamos. Pense que seus pais são os motores metafísicos da sua vida.  Que todos os estágios da sua vida estão ligados a como eles entendem a vida deles. Infância, adolescência, maturidade e velhice. Todas essas percepções ficam gravadas em você. E se eles acham que faltou fazer alguma coisa, neste processo evolutivo da vida, se faltou realizar alguma coisa, ficam devendo. Para a vida, para a família, para si mesmos. E você, percebe essa dívida. E por amor ou fidelidade, faz o máximo para pagar. Algo que não é seu! Pensou? Ok.

Agora pense que seus pais, antes de serem seus pais, eram filhos. E tinham a percepção que os pais deles, os seus avós, sentiam-se devedores da vida. E como você, achavam que tinham que pagar. Quantas dívidas! Será que alguém, nesse bololô todo já pensou se precisa realmente pagar isso tudo? E qual é a saída? Dou uma.

A vida é abstração. As pessoas abstraem o que sabem fazer de melhor e oferecem ao mundo. Mas não conseguem fazer as coisas perfeitas, pois se as coisas assim o fossem, estariam acabadas. Mortas! Per feito, vem do latim, feito per si, acabado. E ainda assim, eu, você, seus pais, quiçá seus filhos querem acabar as coisas, ter uma noção de “acabamento”. E, se tudo der certo, vivem e morrem tentando. Quando morrem, acaba. Per faz. A tentativa e erro. Ficam os significados. E hoje, no dia dos mortos, é o dia de entender os significados. Dos que se foram, do que foram para nós, no que nos proporcionaram, no que podemos fazer através do que aprendemos com eles.

No que foram geniais em tentar, insistir, mas não deu certo. No que faziam bem sem fazer muita força. Na relação que tínhamos, aprendemos o que eram, através da experiência, o que queriam ser e não puderam, o que manifestavam e não entendiam. Dentro de todas as imperfeições da vida e da morte, encontramos perfeição nos seus significados. E hoje é este dia. E se  isso tudo puder ser entendido e assimilado, quão longo será esse dia. No dia dos mortos, quanto mais significados entendemos do que vieram antes, mais vida terá a nossa vida.

 

*Faço uma live no Facebook toda 4ª feira, às 20h no FB .

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