Olá. Começamos esse sabadão com um assunto mais leve que o ar. Balas viajando pelo ar, para ser mais preciso. Em uma escola em Goyanésia, uma provocação recebe chumbo como resposta. Meus Deus, creio que preciso parar de ver tiroteios no Netflix. Ou o atirador precisasse. Talvez, os dois. Mas creio que este é o post mais sanguinolento dos últimos tempos.

Acredito muito no fato de que cada filme que você vê tem um pouco de você. Do que está vivendo, do que está passando, do que acontece na sua vida, e está prestes a acontecer. Tenho visto a série “Demolidor”. Antes, vi o filme “Até o Último Homem”. É só sangue, morte, assassinatos. Sinceramente, me incomoda. E justamente este incômodo, de saber que algo da minha vida está relacionado com sangue espirrando, é o que me ajuda a escrever a respeito.

Engraçado. Tiros na TV, tiros nos EUA, tiros no Brasil. E nem somos um país tão militarizado assim. Ditaduras à parte (sim, tivemos mais de uma ditadura), não somos um povo muito armado. E ainda assim, um adolescente, filho de Policiais Militares, depois de provocações em relação ao seu cheiro, resolve reagir de forma violenta, com tiros. E foi quase que miraculosamente desarmado pela coordenadora do curso.

Pois bem. Ouvi muita gente dizendo que tudo aconteceu por causa do bullying. E muita gente dizendo o contrário, que porque o adolescente se dizia fã do nazismo e de satãnismo ele era um psicopata absoluto em potencial. Sendo este um potencial inerente ao seu ser. Credo. Mas vamos… pensar.

Antes de mais nada, o que aconteceu nesta escola não acontecia antes. Quantos massacres deste tipo acontecia na década de 60, 70, 80? Não me vem à memória nenhum. Essa cultura de morte, de ver méritos em massacre, antes de mais nada oferece um caminho para quem de repente, olha para o infinito e diz: estou ofendido. Quero morte. Isso porque ninguém pode negar que em filmes, referências a isto existem. Este é um ponto. Outro é que massacres sempre existiram no decorrer da história. Quem foi que inventou a guerra, mesmo? E em guerras existem… massacres, descaso com a vida humana.

Sendo que nem todo mundo que vê terror e violência vira imediatamente um assassino ou um Jason, ou um Freddy Kruger*, existem outros fatores menores influenciando a cabeça do menino; Digo menores pois faço uma escala de importância em apenas um ato violento.

Aí, vem os pais. Os pais são os motores metafísicos da vida de cada um dos seres humanos. Os seus, os meus. E os pais desta crianças eram… militarizados. Não apenas policiais militares, mas pessoas que acreditavam que ser bélico era, ou é a resposta para provocações.

Pauso um pouco. E eu? Já me vi em situações de violência, ou que demandavam uma resposta pouco ortodoxa? Já. Sofri uma espécie de bullying “light”, na escola, hoje em dia sofro da Eletropaulo, que queimou minha televisão e não quer ressarcir o prejuízo. Já tive que me proteger de porrada. E não foi com a minha retórica que fiz isso. Nem sempre, pelo menos!

Acontece que em nenhum momento em que eu apanhei, seja de pessoas, seja do governo, seja de péssimas práticas de negócios, percebi que  deixei uma brecha. No colégio, minha baixa auto-estima era brecha, no caso da minha TV, quis consertar rápido depois que queimou, e a empresa se valeu disso para lavar as mãos.

Na vida da criança, acontece a mesma coisa. Ela abre uma brecha, dentro da insegurança de quem é, e o agressor aproveita. Só que no momento que alguém aproveita a insegurança alheia em qualquer coisa que tem mais segurança que o outro, no caso do menino ,por ser mais “cheiroso”, ele se transforma em carrasco, e o outro em vítima. Aí, meus amigos, começa a RELAÇÃO entre CARRASCO e VÍTIMA. Alternadamente.

Dentro do tempo e do espaço,  assim que a vítima sofre a agressão, imediatamente vai querer ocupar o espaço que deixou aberto, em oposição a quem inicialmente lhe tomou este espaço de forma agressiva. Vai agredir de volta, e de vítima, se transforma em carrasco. E assim, indefinidamente.

Neste ínterim, entre provocações e ofensas, existe o efeito hipnótico. Uma ação, como uma gota no oceano, desencadeia ondas. Ondas de violência e desmerecimento próprio e alheio.

Alguém vitimizado ou abre precedentes de deixar se vitimizar e atrair demais carrascos, ou se posiciona em sentido contrário para fazer isso parar. E se achar que violência é a melhor forma de se posicionar, o que acontece? Bang! Bang, bang, bang ….. ! Grito e choro.

Já atendi e ajudei a reverter inúmeras pessoas que se achavam vítimas. E digo isso: a dinâmica do carrasco e da vítima não é só frequente; ela acontece com todo mundo, o tempo inteiro, de inúmeras formas. E por isso te digo: Você se sente vítima absoluta de alguma coisa? Pois tome cuidado. Seu carrasco pode estar se aproximando…

*Espere aí: Freddy Kruger e Fred Thompson… será que existe uma sincronicidade terrorífica aqui? Hmm… não.

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