Muitas vezes, vejo meus colegas palestrantes mostrando suas credenciais, de lugares renomados, estrangeiros e incríveis em que estiveram, estão, ou poderão estar para instigar outras pessoas que não tem no momento a oportunidade de fazer coisas similares a segui-las, curti-las, comprar seus cursos, suas palestras.  Pois então eu me inspirei e resolvi mostrar as minhas melhores credenciais! Não são os cursos que eu fiz, os lugares que frequentei, ou quaisquer outras cousas relacionadas. Não que sejam poucas ou não sejam bacanas, mas porque eu quero mostrar as que REALMENTE mais importam! Minhas… cicatrizes.

Não, interessado leitor, esta postagem com uma pessoa que ganhou uma cicatriz quando era criança não é sobre o Harry Potter. Feliz ou infelizmente, tive a originalidade de ganhar uma cicatriz na testa muito antes do cabra!

Rapah! Isso doeu horrores. Estava pulando na cama, junto com um monte de crianças em um quarto, quando alguém foi afastar o cômodo enquanto eu estava no meio do meu ornamental pulo e… pumba! Frederico aos ares.

Caio chorando, com a mão no rosto, quando minha irmã se aproxima, querendo me fazer engolir o choro, ( uma frequente na minha vida ) com um sermão. Bastou tirar a mão da testa para esguichar sangue. Cara! Que post carniceiro. Mas fica aí que no final eu tento dar um sentido para isso tudo.

Vou lá eu para o pronto-socorro de Ilhabela. A criancice toda se passou por lá. Chego no pronto-socorro, o médico era meio bêbado. A mão dele tremia tanto, ao me dar os pontos, que a cicatriz ficou tremida até hoje. Meu pai me olhou nos olhos, quando soube que aquilo tudo ia doer para diabo, e, com dedo em riste, me disse: Não chora! Segurei o choro. A dor. Enquanto o médico costurava.

Caramba. Já achei meu pai muito ríspido, que minha mãe já puxou muito meu freio de mão durante toda a minha vida. Hoje, vejo esse pequeno momento de segurar uma dor horrorosa, como um ato de coragem. Que começou com o meu pai, vendo o próprio filho todo ensanguentado, e ainda pedir para ele aguentar a barra. O que mais ele poderia fazer? Entrar em desespero? Ver mérito na minha dor? Aí eu teria gritado, esperneado. E a dor não passaria, eu somente não teria mais como segurar, algo que estaria lá, do mesmo jeito.  E ainda atrapalharia mais ainda o médico bêbado.

Tudo isso para dizer que, para mim, essa dor toda foi uma forma de chamar a atenção. Inconsciente, é claro, mas o inconsciente também faz parte de mim. O seu, de você. Queria ser corajoso do método tradicional. Não deu. Queria perceber o melhor do meu pai. Mas de repente,  meu pai tinha as dores dele. E… se foi através da dor que nossa coragem veio à tona, o quanto é importante respeitar nossas cicatrizes emocionais? Entendê-las, e as que já estão aí, respeitá-las.

Bom, eu tenho as minhas… e cada um, as suas. Agora, pense comigo: quantas cicatrizes de tentativa e erro, de tentar fazer alguma coisa e errar, de acertar precisam necessariamente de um diploma?

O que essas cicatrizes me credenciam é a ajudar as pessoas a verem o que existe por traz de cada experiência traumática, seja ela em relação a pais, familiares, sexo, trabalho, vida. E a ver os méritos em tudo isso. Os seus… e dos demais, seus próximos!

 

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